sexta-feira, 13 de março de 2009

Nem sei !

Tratava-se de algo incapacitante; era a sensação de que um enorme buraco tinha sido aberto no meu peito, destruindo-me os órgãos vitais e deixando golpes irregulares por sarar nos limites; e que continuavam a latejar e a sangrar apesar do tempo passar. Racionalmente, eu sabia que os meus pulmões deviam estar intactos, porém respirava com dificuldade e sentia a cabeça a girar como se os meus esforços de nada me servissem. O coração também devia estar a bater, mas não escutava a sua pulsação nos ouvidos; as minhas mãos pareciam roxas de frio. Dobrei-me sobre mim mesmo, abraçando as costelas na tentativa de não desmoronar. Procurei recuperar o meu torpor e a minha negação, mas escapavam-me. No entanto, descobri que sobreviviria. Se estava acordado, sentia dor - um penoso sentimento de perda que irradiava o meu peito, gerando terriveis ondas que me percorriam os membros e a cabeça - , mas era tolerável. Conseguia suportá-la. Não sentia que a dor enfraquecera com o passar do tempo, mas que me tinha tornado suficientemente forte para conseguir aguentá-la.

Cindy, eu amo-te.

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